Publicado 06 de Março de 2009
Acordo bem devagar. Um piscar de olho, o quarto guarda ainda o frescor da noite, o cheiro de mar, a cortina balança num ritmo preguiçoso que dá vontade de ali ficar. E fico, me permito ser embalada e novamente adormeço.
Finalmente desperto, sem susto, sem pressa, invadida pelo aroma de café rescém passado que descança ali, sobre a mesa na varanda. Café da manhã, jornais, o silêncio daquela hora em que o mundo ainda não descobriu que tem pressa. Deixo-me ali ficar, a contemplar.
Uma longa caminhada, meu olhar é desinteressado sobre o cotidiano que se repete, familiar, sem surpresas. O sol esquenta, busco refúgio em algum canto fresco e me deixo ficar, a ler, sem muito me esforçar.
Ahhh, o banho de mar! Fim de tarde, a areia morna sob os meus pés massageia meu corpo e minha alma. De repente, o despertar sobressaltado quando entro no mar e me deixo levar, um flutuar que restaura em mim as várias partes da alma que andavam avariadas.
E a noite? É fresca, tem cheiro doce, mas o dia tem que terminar. Mas... só mais um pouco, ainda há tempo, vinho tinto, queijo, frutas e... desejo. O desejo vem se instalar, "amanhã", eu digo, amanhã vou ter contigo.
Leia mais sobre: COLUNA OLHAR-SE - Daniela Vilas Boas
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