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COLUNA VERTEBRAL - Daniel "Cuca" Moreira

This is it - por Daniel "Cuca" Moreira

Publicado 27 de Julho de 2009

   Todo mundo lembra onde estava exatamente quando soube de alguma passagem histórica importante. O atentado de 11 de setembro, a morte de Ayrton Senna, de Tancredo Neves, etc. Eu não me esquecerei também do dia 25 de junho de 2009.
    Era quinta-feira. Pela manhã, soube do falecimento de Farrah Fawcett, eterna Pantera, sem maiores emoções. À tardinha, fui mais cedo pra casa, pois minha mulher tinha reunião às 19h e eu precisava ficar com as meninas. Malu estava vendo desenho e, em uma de suas saídas da sala, dei uma de criança e troquei de canal. Comecei a zapear e parei no Multishow, onde iniciava o clipe de “Black or White”. Chamei a Malu pra ver. Fazia uns 10 anos que não assistia e fiquei curioso para analisá-lo novamente, ao mesmo tempo que apresentava para minha filha de 4 anos aquele ícone mundial. O vídeo era legendado e, enquanto lia os versos para ela, pensava na qualidade da poesia que mesmo com a tradução literal se fazia competente. "Filha, sabe quem é este?" "Não." "É o Michael Jackson." "Ele tem cara de mulher, né, pai?" "Eheheh. É. Tem." Ela ficou encantada com as danças e efeitos. Quando acabou, saiu da sala novamente. Na sequência, começou outro clipe dele, do álbum “Off The Wall”. Estranhei. Dois consecutivos? Minha surpresa durou pouco. Logo, surgiu no topo da tela uma mensagem discreta que dizia algo como "O cantor Michael Jackson teve uma parada cardíaca e está em coma. Alguns jornais divulgam sua morte". Claro que levei um choque. Como toda criança, em 1982 eu tinha (e tenho ainda) o “Thriller” em vinil. Há poucos anos, comprei em CD também. Imitava seus passos, queria sua jaqueta vermelha, mas – confesso – tinha certo medo do clipe do lobisomem. Saí procurando um canal de notícias. Parei na Band News, que transmitia imagens do hospital. A multidão se algomerava. "Será uma noite longa", pensei. Mandei um SMS pra minha mulher: "O Michael Jackson morreu". Ela me ligou em seguida, perplexa. Expliquei. Twittei por SMS "o Michel Jackson morreu?". Resolvi logar. Todo mundo já falava sobre o assunto. A Internet ficou instável. Os jornais, um a um, iam confirmando sua morte, menos a CNN que ainda noticiava "unconfirmed". Fiquei torcendo para que fosse mais uma das artimanhas de marketing do astro. E tinha dois bons motivos: além de salvar a vida de um gênio, seria um case incrível. Estava certo de que, dentro de alguns instantes, a CNN daria a verão correta e faria o mundo respirar aliviado.
    Desde a divulgação dos shows em Londres, Michael não saia dos noticiários uma semana sequer. Primeiro eram 10 shows, depois mais tantos, depois eram cinquenta, a escolha do set list pelo site, as vendas dos ingressos, os boatos, os fãs... Um trabalho primoroso de marketing e assessoria de imprensa para não tirar o nome do Rei do Pop da mídia. Mas a CNN não seguiu o meu roteiro imaginário e, logo após, William Bonner também emprestava voz para o triste desfecho: "Michael Jackson está morto".
    O artista que começou sua carreira aos 5 anos vinha passando por um ostracismo musical e financeiro muito grande. Os 50 shows serviriam para colocá-lo de volta no mercado e saldar suas dívidas. Antes da promessa de volta aos palcos, eu comentava com meus amigos que a solução seria ele fazer um show só voz e piano, mostrando todo seu talento inequívoco. Em determinado ponto, subiria sobre o instrumento e executaria seus passos desconcertantes, levando os fãs ao delírio. Mas Jacko era megaestrela e não se contentava com simplicidades. A rotina de ensaios combinada com sua frágil condição física foi arrebatadora.
    Michael não queria envelhecer; queria ser jovem pra sempre. E é assim que lembraremos dele.
 

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