Publicado 25 de Fevereiro de 2010
Desde o início do ano, há uma sala de cinema a menos em funcionamento em Porto Alegre. A Norberto Lubisco, terceira e a mais recente das salas de projeção da Casa de Cultura Mario Quintana, está fechada sem previsão de reabrir.
A Norberto Lubisco foi fechada no início do ano. Dos funcionários do cinema da CCMQ, antes em número de 10, três foram demitidos, reduzindo o número para sete. Os últimos filmes exibidos na Norberto Lubisco foram Código de Conduta e Um Namorado para Minha Esposa, na semana que se encerrou em 20 de dezembro.
O fechamento já rende manifestações na internet – um e-mail de protesto assinado pelo poeta e radialista Marcelo Noah está sendo amplamente retransmitido. Pelas explicações oficiais, são duas as principais razões do fechamento: segurança, e a atribulada situação financeira da Casa.
De acordo com o diretor da CCMQ, Luiz Armando Capra Filho, a principal razão do fechamento da sala, no início do ano, foi a necessidade de readequar o espaço a exigências do Corpo de Bombeiros. A sala, pequena e com cinco dezenas de lugares, só tinha como saída a porta que dá para a Rua dos Andradas. E qualquer reforma para abrir uma saída de emergência passa pelas instâncias coordenadoras do patrimônio histórico.
– O prédio é tombado, não dá para simplesmente ir abrindo uma porta em qualquer lugar. Estamos fazendo um estudo em parceria com a Secretaria da Cultura, o Iecine e o IPHAE, mas não temos como dar uma previsão de quando a sala estará readequada.
De acordo com Capra, os funcionários foram dispensados para não se pagar funcionários de uma sala fechada. Já o diretor do Instituto Estadual de Cinema (Iecine), Ivo Czamanski, ressalta que, além da questão de segurança, as finanças da casa foram determinantes para o fechamento da Norberto Lubisco – e poderiam dificultar a reabertura mesmo se atendidas as exigências dos Bombeiros:
– A sala aberta, com o pagamento dos projecionistas, representava um acúmulo de R$ 5 mil por mês em dívidas com encargos fiscais. Para uma dívida que, atualmente, está em R$ 12.760. Tínhamos de zerar o taxímetro para poder pensar – comenta Czamanski, ele próprio diretor de fotografia, como o Norberto Lubisco que dá nome à sala.
A secretária estadual de Cultura, Mônica Leal, reforça a explicação de Capra:
– Quando os bombeiros rejeitaram o habite-se, decidimos fechar a sala para estudar o que poderia ser feito. O Ivo tem os detalhes da questão financeira, mas, para mim, veio aprimeiro a questão da segurança. Depois, a gente vê o que faz.
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Fonte: ZH
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