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PIMENTA MAIS PICANTE (E BUENA)

Publicado 25 de Abril de 2011

Despida de preconceitos musicais, a banda pelotense Pimenta Buena vem promovendo um mix entre música latina e brasileira, numa interessante troca de bagagens culturais responsável por construir a sua própria identidade. A resposta para esse projeto de vanguarda foi muito animadora: o primeiro álbum do grupo vendeu mil cópias em apenas quatro meses. Inseridos no cenário cultural da cidade, o grupo tem a pretensão de expandir o seu groove sofisticado daqui para o mundo, mas sem perder as raízes com o sul do país. Para isso, vem a calhar o lançamento do segundo trabalho fonográfico, o EP “Nada Original”, com estréia marcada para o dia 7 de maio, às 21h, no Theatro Guarany.

PROPOSTA CAMALEÔNICA
A história do grupo teve início em 2005, quando o cantor uruguaio Vicente Botti, morando há três anos em Pelotas, montou um projeto de reunir músicos locais em diversas composições de banda. Dessa forma, Botti tocou no Porto das Artes, Dom Quixote e Teatro Sete de Abril com artistas da cena cultural do município, como Jucá de León, Ricardo Rochedo, Zé Ricardo, Daniel Finkler entre outros.
A partir desses importantes contatos, ele foi chamado pelos integrantes da extinta banda Nação Suburbana para compor uma letra e cantá-la na mesma faixa. O trabalho em conjunto levou três anos e se desenvolveu por muitas outras canções, originando o primeiro disco de uma nova formação, a Pimenta Buena. O funk brasil inicial somado a latinidade do novo intérprete e compositor criou um produto diferente, que viria a ser apresentado ao público no dia 3 de novembro de 2007, no primeiro show do grupo na Original Bier.
Apostando nesse projeto, os brasileiros João Corrêa (guitarra), André Chiesa (bateria), Daniel Finkler (baixo) e o uruguaio Vicente Botti (vocal) lançaram o site oficial do grupo (www.pimentabuena.com.br) em um evento no Coletivo Ocupação, já em 2008. O som da Pimenta chegou aos ouvidos do cantor da Cidadão Quem, Duca Leindecker, e ele também participou do show, numa jam session do cover “Salir a Comprar”, dos argentinos Divididos.
Essa trajetória, desde o primeiro show, foi gravada pela equipe da Moviola Filmes, que, durante um ano acompanhou a Pimenta Buena por todo Estado e cidades do Uruguai. O ponto máximo desse início foi o lançamento do primeiro compacto de músicas inéditas - que leva o nome da banda - realizado em maio de 2009, no Teatro Sete de Abril. Uma parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc) possibilitou ingressar em um circuito cultural pelo Rio Grande do Sul para divulgar o disco, passando por Bagé, Camaquã, Montenegro, São Sebastião do Caí, Ijuí, Santa Maria, Arroio Grande, Jaguarão e Porto Alegre.

GROOVE LATINO
Influências diversas contribuíram para a criação desse som tão pessoal da Pimenta. Cada um dos músicos trouxe uma vasta bagagem musical. João é formado em violão clássico e contribuiu com guitarras eruditas e lounge. O baterista André tem experiência em todos os estilos musicais e transita pelos gêneros com facilidade. O baixista Daniel trouxe a forte pegada do jazz, inspirado em expoentes como Arthur Maia e Marcus Miller. Já Vicente foi criado em Montevidéu, em meio ao candombe, murgas e tangos. Seus ícones são o compositor espanhol Joaquín Sabina e a escritora chilena Isabel Allende.
O resultado dessa equação foi um som conectado com o perfil da cidade. As músicas pulsam latinidade, embebidas em um pop jazz de sonoridade harmônica e agressiva. O vocalista classifica a Pimenta Buena como uma banda de inverno. “Adotamos a Estética do Frio, de Vitor Ramil, e, uma temática de velas e castiçais. A nossa música é para curtir a dois, com uma lareira e um vinho”, explicou.

O “NADA ORIGINAL”
Após a intensa divulgação do primeiro álbum, o grupo partiu para a gravação do segundo trabalho fonográfico: um EP duplo, composto por cinco músicas e cinco vídeos (quatro videoclipes e o documentário de 17 minutos sobre a banda, de autoria da Moviola). Nessa nova empreitada o baixista Daniel Finkler deixou a banda, mas não sem realizar uma participação especial no mini-álbum.
Intitulado “Nada Original”, o EP vem da idéia de que “nada mais original do que fazer canções de amor”. Essas composições, de acordo com Botti, estão sintonizadas nas letras e melodias de Vitor Ramil, Jorge Drexler e Bajofondo, porém, sem perder a vertente do rock. O novo trabalho foi gravado em quatro estúdios de Pelotas, masterizado em Porto Alegre e finalizado em janeiro deste ano. Recebeu o suporte do acordeonista Aluísio Rockembach e o grave do atual baixista da banda, Ottoni Marques de León.
O Extended Play (EP) é o formato intermediário entre o single, composto por uma ou duas músicas, e um álbum, superior a oito. A gravação assume o momento de transição da banda, que pretende conquistar ainda mais espaço no Mercosul e depois expandir para o mundo. Incorporando, assim, uma frase do escritor Tolstoi: “Cante a tua aldeia e serás universal”.
Parte dessa movimentação já foi obtida com o envolvimento da camada de artistas da cidade, como designers gráficos, arquitetos, poetas, dançarinos, músicos e produtores de cinema, que, de uma forma ou de outra, acompanharam a banda nesse caminho desenvolvendo inúmeros projetos.
O aquecimento cultural promovido pela Pimenta Buena foi um forte argumento na obtenção do 1° Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Procultura). Dos 33 projetos inscritos, a banda apresentou um dos seis aprovados. A verba de R$ 12 mil obtida está financiando 60% do projeto a ser lançado no teatro. O grupo já planeja o seu segundo álbum de inéditas.

GRIFE PICANTE
Para carregar consigo não apenas o novo disco da banda, os integrantes da Pimenta, associados a Confraria de Idéias, lançam também uma grife de produtos com o seu selo musical. Os fãs poderão adquirir chaveiros, bonés, camisetas, estojos, sacolas ecológicas, lenços, blocos de anotações, canetas e almofadas para notebook. Todos personalizados e com preço acessível. A grife “Para Vos” será lançada oficialmente no dia 27 de abril, no bar e champanharia João Gilberto, com um pocket show dos pimenteros. Os ingressos são limitados e o primeiro lote está à venda por R$ 10,00 na N Concept e Posto Cidadão Capaz.

SERVIÇO
“Nada Original” será lançado com show temático no dia 7 de maio, às 21h, no Theatro Guarany. Está confirmada a participação do músico Vitor Ramil para acompanhar a banda em uma versão candombe lounge da música “Viajei”. O EP duplo estará à venda no local por preço promocional de R$ 15,00. Os ingressos antecipados para o espetáculo podem ser adquiridos na rede Hercílio Calçados pelo valor de R$ 20,00 com descontos para estudantes e idosos.
Os parceiros e apoiadores da banda Pimenta Buena são Prefeitura Municipal de Pelotas, Secult, Theatro Guarany 90 Anos, Universidade Católica de Pelotas, Hercílio Calçados, Companhia dos Técnicos e Nativu Design.

BOX REDONDO: A primeira música criada pelo grupo, “Solo Um Detalle”, ficou de fora do primeiro cd, mas vai ser lançada no EP.

AGENDA:
27/04: lançamento da grife “Para Vos” com pocket show da Pimenta Buena no João Gilberto, às 22h.
04/05: workshop gratuito de Produção Musical Independente, com Pimenta Buena, no Foyer do Theatro Guarany, às 10h. Mais informações com a Secretaria de Cultura (Secult).
07/05: lançamento do EP “Nada Original”, às 21h, no Theatro Guarany.
 

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Fonte: Max Cirne - Noite & Cia

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