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Persépolis ganha nova versão

Publicado 06 de Agosto de 2009

Persépolis, autobiografia em quadrinhos da iraniana Marjane Satrapi, é a nova arma dos críticos de Mahmoud Ahmadinejad, eleito presidente do Irã há dois meses, em eleição marcada por acusações de fraude.

A HQ - publicada em 2000 e levada aos cinemas em 2007, como animação francesa - foi atualizada por dois jovens, filhos de iranianos. A versão pega as imagens originais e sobrepõe a elas novos diálogos, baseados nos protestos deslanchados após a eleição de 12 de junho.

A tática consistiu em fotografar trechos do romance gráfico, para então reescrever os diálogos. Feita nos programas Photoshop e Illustrator, a montagem ganhou o batismo Persépolis 2.0 e está disponível na web.

A obra de Satrapi foi transformada em animação francesa há dois anos, em parceria com Vincent Paronnaud. Levou o prêmio do júri no Festival de Cannes de 2007, além de ter sido indicada a melhor animação no Oscar do ano seguinte.

Sina e Payman, codinomes dos autores de Persépolis 2.0, são dois gerentes de marketing de 20 e poucos anos e residem na Ásia. Onde, exatamente, não divulgam: temem as represálias que a recauchutagem da HQ possa gerar.

A história original conta a Revolução Islâmica sobre o ponto de vista de Satrapi. Ela tinha tinha 10 anos quando o Xá Mohammad Reza Pahlevi, pró-Ocidente, foi derrubado do poder, em 1979. Aos 14 anos, a autora, hoje radicada na França, foi enviada para Viena, capital austríaca, de forma a escapar do radicalismo ideológico do regime. Persépolis chegou a ser barrado em alguns lugares, entre eles o Líbano.

À Folha de S. Paulo, em entrevista por e-mail publicada nesta quarta, 5, Sina explicou que a dupla pegou carona no apelo pop da HQ para galvanizar atenções à situação no Irã. "Essa eleição deixou clara a militarização da política iraniana. Se foi 'roubada' ou não, não podemos dizer, mas a repressão violenta só serviu como combustível para a oposição."

"Cínicos em relação a protestos"
Até o dia 12, a dupla, simpática ao líder oposicionista Mir Hossein Mousavi (que concorreu contra Ahmadinejad à presidência do país), dava bem menos bola para política. Agora, o panorama é outro. "Somos cínicos em relação a protestos em frente à embaixada, então resolvemos aproveitar a nossa experiência multicultural para ajudar nossos amigos a entender o que se passa no Irã", escreveu Sina.

A versão dos rapazes toma como ponto de partida o dia 12 e se estende a 21 de junho, período em que violentos protestos detonaram a maior crise interna do país desde a Revolução Islâmica. A história termina com Neda Agha-Soltan, jovem alçada a mártir dos opositores, após ser morta em embate policial. O vídeo com o assassinato foi postado no YouTube e varreu a internet - assim como várias notícias sobre o país, muitas delas escapulidas da repressão governamental com a ajuda de ferramentas como o Twitter.

A HQ alerta que "sua morte não foi em vão" ao mostrar Neda carregada por braços divinos. Acompanha o seguinte apelo: "Espalhem a mensagem. Twitter, Facebook, e-mail". Parece ter dado certo: segundo Sina, o site já foi acessado em mais de 170 países.

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Fonte: Revista Rolling Stone

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