Publicado 07 de Novembro de 2008
Falar sobre o futuro. Tarefa difícil nos dias de hoje, quando as pessoas imaginam que planejamento de futuro envolve buscar um ideal de felicidade difícil de ser alcançado. Etapas, planejamento, isso é para os outros. No meu futuro vou ser bem sucedido, ter uma ótima aparência, o carro do ano, todas as inovações tecnológicas, o parceiro ideal, que viva os meus sonhos e que tenha as minhas expectativas e mais, tudo isso sem que eu precise planejar, já que basta desejar para que isso caia nas minhas mãos.
Buscamos incessantemente o perfeito, o mais que perfeito. A próxima coleção, de inverno, e o verão ainda nem chegou! A próxima inovação tecnológica, não sabemos lidar com a versão anterior e, muito provavelmente, nem precisamos dela. A próxima boca, o próximo amasso, a próxima noite transa, já que o que tive hoje foi bom, mas deve haver algo melhor, muito melhor, então sigo procurando.
Junte a esta busca o fato de que cada vez mais nossos jovens carecem de cultura e de conhecimento. De que, a cada ano, formamos profissionais cada vez menos capazes de enfrentar o mundo do trabalho e com quase que nenhuma crítica a respeito de suas próprias qualificações.
Jovens estes que provém de uma estrutura familiar cada vez mais caótica, muitas vezes escravizada ao ideal de dar aos filhos tudo o que não tiveram. Tão empenhadas em dar que a tarefa de educar fica sempre para depois, já que dar é bem mais fácil do que negociar regras, limites, trocas e tudo o mais que faz parte do viver em sociedade.
Pois bem, querem olhar para o futuro, acho ótimo, mas comecem fazendo uma ótima crítica do presente que está em suas mãos. Avaliem, critiquem, separem o joio do trigo, aprendam a planejar a pagar o preço das suas escolhas e, então, quem sabe o presente será melhor vivido e o futuro uma possibilidade e não uma quimera.
Leia mais sobre: COLUNA OLHAR-SE - Daniela Vilas Boas
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