Publicado 17 de Junho de 2010
Fumar ou não fumar, eis a questão. Desde o ano passado essa pergunta ecoa pelos estabelecimentos fechados de Pelotas causando várias discussões sobre a proibição do consumo de tabaco nesse tipo de ambiente. Há quem aprove e quem deteste, mas como sabemos, lei é lei e deve ser cumprida.
Validada desde o dia 28 de novembro de 2009 a Lei Antifumo, proposta pelo vereador Ivan Duarte, proíbe o uso de produtos fumígenos em ambientes públicos ou privados de acesso coletivo. Assim bares, restaurantes e boates, que antes eram alguns dos principais locais de uso do cigarro, agora não devem permitir mais esse tipo de hábito.
O Nova York Irish Pub foi uma das casas noturnas que proibiu o consumo de tabaco em seu interior e essa medida se tornou tema de discussão até na comunidade que o estabelecimento mantém no site de relacionamentos Orkut. Apesar de algumas reclamações, os freqüentadores aprovaram a iniciativa do pub, que desde o dia 1° de janeiro aboliu o cigarro em suas dependências.
O proprietário do Nova York, Rafael Amaral, comenta que foi surpreendente constatar o retorno de um público que deixou de ir no local devido o cigarro. Rafael também disse que é bastante desconfortável desapontar um público fiel, mas que procura mostrar que existem outros prazeres - além do cigarro - que podem tornar a noite agradável.
A administradora de empresas e freqüentadora do pub, Elisa Terra, disse que os donos de casas noturnas devem ter em mente que todos que frequentam são seus clientes por igual e vão lá para prestigiar, quer sejam fumantes ou não. “Uma alternativa seria disponibilizar um espaço para que os fumantes possam se reunir para fumar sem o constrangimento de incomodar ou ser incomodado”. A sugestão poderia ser uma solução que agradaria a todo o público, porém a lei proposta para Pelotas não permite esse tipo de instalações. Assim, o pub dá liberdade ao cliente de sair do estabelecimento e retornar depois de fumar o seu cigarro.
A fumaça não atrapalha somente quando se está no interior do bar. “As pessoas até se acostumam com os outros fumando, mas quando saem na rua percebem que o cabelo e as roupas ficam com um cheiro insuportável”, disse a estudante de Comunicação, Luísa Toralles, que gostou bastante da idéia da proibição do consumo de tabaco em locais fechados.
Em meio às opiniões pró e contra o advogado Rodrigo Gruppelli afirmou que não é fumante, mas acha que quem não quer fumaça de cigarro não deve sair para festas. “O fumo é inerente à noite”, comenta. Em relação ao pub, ele termina dizendo que algumas vezes era tanta fumaça que chegava a arder os olhos.
Segundo Ivan Duarte quem regra e controla os estabelecimentos é o Executivo local, mas como prevê a lei, a fiscalização é feita pelos próprios funcionários do Nova York, que quando percebem algum cliente fumando, comunicam a regra e solicitam que o cigarro seja apagado.
A proibição de um hábito não pode se tornar motivo que impeça os fumantes de apreciarem uma boa música e de curtirem uma balada junto dos amigos. A tolerância é um bom exercício que deve ser praticado por todos, até porque não é só a sua saúde que está em jogo.
Por dentro da Lei
Os produtos fumígenos serão impedidos em recintos de uso coletivo como ambientes de trabalho, de estudo, de cultura, de culto religioso, de lazer, de esporte ou de entretenimento, áreas comuns de condomínios, casas de espetáculos, teatros, cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, praças de alimentação, hotéis, pousadas, centros comerciais, bancos e similares, supermercados, açougues, padarias, farmácias e drogarias, repartições públicas, instituições de saúde, escolas, museus, bibliotecas, espaços de exposições, veículos públicos ou privados de transporte coletivo, viaturas oficiais de qualquer espécie e táxis. A lei não se aplica a vias públicas, espaços ao ar livre, residências, locais de culto religioso em que o produto fumígeno faça parte do ritual, instituições de tratamento de saúde em que o paciente está autorizado a fumar pelo médico assistente e estabelecimentos exclusivamente destinados ao consumo de tais produtos.
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Fonte: Amanda Lopes - Noite e Cia
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