Publicado 25 de Novembro de 2009
Não é só dançar ou cantar que elas querem. O negócio é faturar. Assim caminha a indústria do entretenimento: em passos ambiciosos e com muita vontade de ganhar dinheiro. Álbum atrás de álbum, videoclipe seguido de videoclipe e um hit mais tocado que o outro. O mundo das divas pop é muito valioso e nenhuma gravadora abre mão dessas ‘minas’ de ouro.
Mas será que essa produção toda não compromete a qualidade do produto final? Os seguidores da contra-cultura acreditam que sim, que essa indústria pré-fabricada é ruim e alienante. Vozes modificadas, visuais plastificados e produção em série idealizam uma realidade fora dos padrões naturais.
Stefani Germanotta explodiu no mundo pop. Todo mundo já ouviu, ao menos, uma de suas músicas. Desde criança, sempre destacou-se por onde passava por causa de sua potente voz e suas habilidades com o piano. Todo o preparo para o showbuzz, no entanto, não foram suficientes para elevá-la à posição de 'star'.
Uma mudança radical foi necessária. O apelido 'Gaga' surge em referência à música “Radio Gaga” do Queen, porque suas habilidades vocais foram comparadas as de Fred Mercury. Criou um figurino completamente excêntrico e platinou os cabelos. Com apelo e visual totalmente renovados, Stefani, agora conhecida como Lady Gaga, estava pronta para as paradas musicais.
Não é à toa que todas as ‘divas’ da atualidade são loiras. Pink, Spears, Aguilera, Carey e Hansons são loiras. Até a Beyoncé, que é negra, é loira. Cantoras made in reality shows também acabam clareando os cabelos. E as latinas? Shakira é um exemplo clássico de artista que perdeu uma forte identidade para ser enlatada e comercializada. Em uma embalagem totalmente... loira.
E a cor do cabelo é apenas um dos fatores. Cirurgia aqui, retocada ali, turbinada acolá. O que precisa ser vendida é a imagem em detrimento do real propósito da música. Quanto tempo para Katy Perry se render? E será que a Winehouse vai aparecer loira de vez por aí? Silicone ela já colocou. Peitos pra que te quero.
Engraçado é que as pessoas reclamam, mas continuam consumindo alucinadamente. Se o mercado é direcionado para o que a grande massa quer é porque muita gente procura por isso. Mas quem causa esse efeito dominó no final das contas? Quem busca ou quem oferece? Quem nasceu primeiro, o ovo ou as ‘galinhas’?
Não importa. A música pop das divas oxigenadas tem o seu valor. Seja para cantar junto, dançar na balada ou colocar explodindo nos carros e importunar as pessoas que 'lagarteiam' pelos espaços públicos; sempre dá para encontrar alguma melodia que não desgrude da cabeça. Quem nunca curtiu (nem que seja um pouquinho) “Ops... I did it again”, por exemplo?
Até porque, convenhamos, talento praticamente todas têm. Uma pena que a massificação limite trabalhar melhor esse potencial. Produzida ou não, nua ou crua, entreter é o que elas fazem de melhor - seja através de álbuns e clipes superproduzidos ou de peitos e coxas superturbinadas. Sendo esse o propósito principal da indústria, deixemo-nos ser entretidos. Let’s “Just Dance”.
Leia mais sobre: COLUNA CHICOTEANDO - Francisco Lima
Fonte: Francisco Lima
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