Publicado 06 de Março de 2009
Não suporto mais os padrões do jornalismo da Rede Globo. Por que toda a vez que falam do PIB têm que explicar "a soma de todas as riquezas produzidas no País"? Não é de vez em quando. É sempre. Não podem ser tão eficientes assim. Por que, a cada vez que divulgam uma pesquisa de opinião, têm que dizer, após falar da margem de erro, "tanto pra mais quanto pra menos"? Blerg! Arggg! TODAS AS VEZES! Não é possível que subestimem tanto a inteligência das pessoas e que façam isso sistematicamente. E quando falam de alguma medida de grandes proporções e comparam com campos de futebol? "A nova indústria do grupo tem o tamanho de 15 campos de futebol." Que deserviço é esse? Nunca ouviram falar em metros quadrados? Acres, hectares? Tá certo que grande parte do povo não sabe o que é um hectare, mas não é uma das funções do jornalismo fazer pensar? Ensinar a pensar?
Nada a ver com a Globo, mas dentro do mesmo assunto para o qual ando com a tolerância abaixo do zero: e os entrevistados que iniciam suas respostas com "Então..."? "Então..." é o novo "Tipo, assim...". Todo mundo debocha do texto proferido pelos jogadores de futebol, mas já notaram que são os jornalistas que perguntam sempre a mesma coisa?
- "O que você espera do jogo?"
- "Ah, espero perder. Não estou muito confiante hoje. Acordei com um mau presságio."
- "E vai mais um golzinho pra continuar artilheiro?"
- "Nah! Hoje tô cansado. Só se for contra. Vou ficar lá conversando com nosso goleiro. Se pintar bola na zaga, eu meto pra dentro. Será que vale para a conta da artilharia?"
E quando fazem matérias onde o repórter chega em uma casa, cumprimenta as pessoas, mas a câmera já estava lá dentro? De certo o cinegrafista chegou antes, escondido, pela janela, e ficou aguardando atrás do sofá. Quando o jornalista bateu na porta, começou a gravar e captou a surpresa do entrevistado ao receber uma visita tão inesperada. E quando gravam a família fingindo suas atividades diárias costumeiras, como se nada de diferente estivesse acontecendo?
O jornalismo não deveria contar a verdade? Fazer historinha é pro cinema, pra novela, pro gibi. Quando falo sobre esse assunto, geralmente devolvem a crítica falando da minha profissão, de publicitário: "e não se mente na propaganda?". Em um nível superimaginativo, até que sim. Mas a questão é que, com anúncios e comerciais, todo mundo tem o pé atrás; já assistem armados, na defesa. Com matérias jornalísticas, as pessoas tendem a se portar ingenuamente, a acreditar piamente, como se fosse pura verdade. O jornalismo é muito mais nocivo do que a publicidade, principalmente quando tem segundas intenções. E, em 90% das vezes, tem. A publicidade tem apenas uma: vender. Já o jornalismo, dá pra fazer uma lista de possíveis intenções ocultas. Gosto de pensar assim para limpar a barra com a minha consciência. É tipo um exercício de purificação espiritual.
Leia mais sobre: COLUNA VERTEBRAL - Daniel "Cuca" Moreira
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