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COLUNA 4 PAREDES - Cissa Baini

E Falando Nisso...

Publicado 19 de Março de 2010

Tem gente que me causa constrangimento. Não sou cheia de pudores no quesito “falatório sexual”, mas sinto muita vergonha alheia quando me deparo com situações em que pessoas, com as quais não tenho intimidade, saem contando peripécias sexuais ou suas fantasias ou falando despudorosamente sobre a própria vagina, por exemplo.

A minha vagina é minha e o mesmo cuidado que tenho com o que faço com ela, tenho com o que falo sobre ela (e o que fazemos juntas – eu e minha vagina).

Veja bem, não tô dando uma de castradora aqui. Adoro, acho saudável, bacana e até engraçado conversar sobre sexo (depende com quem e da forma como se dá o papo).

O que eu não curto – e não vejo sentido – é sair abrindo a vida sexual pra qualquer pessoa, falando as intimidades mais íntimas. Algum mistério tem que ficar reservado pra si, ou entre as quatro paredes.

Com amigos íntimos falar intimidades, é bacana. Com não tão íntimos falar sobre sexo com certo pudorzinho, é bacana. Com um monte de gente misturada, contar alguma coisa engraçada, é bacana. Se reservar ao direito de não querer falar nada, também é bacana.

A minha teoria é que quem precisa falar demais é porque faz de menos. Isto é, tem pouco conteúdo eficiente na prática e resta a teoria pra exercitar a sexualidade. Daí vem o falatório: uma forma de compensar quer sejam as frustrações, as inibições; ou a crença de não ter mais nada legal pra oferecer se não os “causos” sexuais.

Se alguém me vem falar que é bom de cama, desconfio. Se for bom mesmo, pra quê falar? Não precisa. A necessidade do ‘falar’ vem da ausência do ‘fazer’. Essas pessoas que ficam falando demais da própria vida sexual me causam vergonha alheia (de novo), pois estão confessando a ineficiência da prática.

Fujo de tipos assim.
 

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