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COLUNA GASTRO NA MINHA - Sady Homrich

É Bom Ser Fã

Publicado 12 de Janeiro de 2009

Sempre gostei de ir a shows, apresentações, concertos. Música ao vivo, de qualidade, em bares também me dá prazer. Pulem a parte dos restaurantes com aquele músico que está apenas “cumprindo seu dever e ganhando seu pão”. Deixa pra lá...
Certamente isso foi fator determinante na escolha da minha profissão, embora eu não ficasse projetando um futuro em cima do palco durante aulas de Cálculo, Físico-Química e Operações Unitárias.

Mas posso dizer que já vi muitos dos artistas que sou fã tocando, gerando um bom currículo de assistente. Claro que vou esquecer algum importante, mas faço uma lista rápida para testar minha memória: U2, Rush, Queen, Yes, Jehtro Tull, Deep Purple, Paul McCartney, Eric Clapton, Mettallica, James Brown, Nirvana, Pearl Jam, Red Hot Chilli Peppers, Black Crowes, Coldplay, Morrisey, Bob Dylan, Michael Jackson, Manah, Alanis Morrisete, Seal, Charly Garcia, Fito Paez, Jorge Drexler, Lenny Kravitz, The Cure, Ecco & the Bunnymen, BB King, Magic Slim, Ben Harper, Massive Attack, AC/DC, Nina Hagen, Scorpions, Bonjovi, Whitesnake, Uriah Heep, Ozzy Osbourne, Nazareth, B 52’s, AHA, Beck, Information Society, Goerge Michael, Village People, Mamonas Assassinas, Blitz, Made in Brazil, Tim Maia, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Pepeu Gomes, 14 Bis, Paulinho da Viola, João Bosco, Bezerra da Silva, Benito di Paula, Luiz Ayrão, Fundo de Quintal, Marisa Monte, Velha Guarda da Portela,...

Só que no dia 6 de novembro de 2008 aconteceu algo que eu não esperava. O Nenhum de Nós estava escalado para abrir a primeira apresentação da Tour 2008 do REM no Brasil. Essa banda americana começou na universidade em Athens, EUA, em 1980. Desde que comecei a tocar sempre gostei da sonoridade, da poesia e da postura daqueles caras “meio esquisitos”. O REM é uma das influências mais marcantes no Nenhum de Nós e estávamos hiper-super-ultra honrados em poder dividir o palco com os caras. No final da tarde, ainda no back-stage, tivemos a prova que uma “banda de verdade” é diferente: o tratamento que a equipe técnica deles deu à nossa foi surpreendentemente cortês, como não sói acontecer nesses encontros. Durante nossa pequena abertura (6 músicas), muito bem aceita pelo bom público presente ao Zequinha Stadium (como estava descrito no site deles), nosso roadie chamou a atenção do Veco para o fato de 3 dos músicos gringos estarem nos observando tocar. E, como se não bastasse, mais tarde foram gentis nos emprestando alguns elogios!
Descemos do palco e fomos assistir nossos ídolos. Onde estávamos (bem perto do palco) o som não era lá essas coisas, normal. Mas isso não tirou o brilho do set list que, além de 5 canções do novo disco Accelerate (Living Well Is The Best Revenge, Man-Sized Wreath, Hollow Man, Horse To Water e Supernatural Superserious) , estava recheado de hits como What’s The Frequency, Kenneth?, Drive, Imitaion of Life, The One I Love, It’s The End Of The World As We Know It, Losing My Religion e Man On The Moon. E além disso, a pedido de amigos gaúchos, incluíram uma obra-prima que não estaria presente: Everybody Hurts.

Ficamos no gramado e pegamos uma cervejas para brindar esse momento. Estávamos extasiados. Uma aula de pop-rock bem ali na nossa frente. Agradecemos o convite aos sócios da Opinião Produtora (Alemão e Magrão) e assistimos o estádio se esvaziando lentamente. Enquanto pegávamos nossas coisas no camarim veio o convite pra acompanhar a banda eu um bar onde iriam comer! Bah! Nunca havia pensado! Tinha que tomar cuidado pra não virar um “mala” e encher o saco. Thedy, Dante e eu chegamos à Cidade Baixa, no Ossip Bar, onde havia uma sala reservada para recebe-los.
Quando cheguei Mr. Michael Stipe e sua trupe estava tomando uma Serramalte e comendo pizza, vegetariana é claro. Trocamos alguns cumprimentos, agradecemos o fato de ele ter citado o Nenhum de Nós durante seu show. Ele pediu desculpas pela pronuncia. Ficamos ali, escutando as conversas e respondendo o que nos indagavam. Perguntei se gostava de cerveja artesanal, propus a degustação de uma cerveja local (Schmitt Ale, feita em Porto Alegre). Toparam na hora. Adoraram, tentaram ler o rótulo, fizeram perguntas e pediram mais. Fiquei orgulhoso da qualidade da nossa ceva!

Dali a pouco um sujeito mais emocionado, na rua, se projetou sobre o vidro do bar assustando todos com o barulho. A banda entendeu que se tratava um bebum xarope, mas a segurança deles achou por bem mudar de local e nos convidaram para o bar do Hotel Sheraton, onde estavam hospedados. Lá falei com o baixista, Mike Mills, o melhor backing-vocal da América. Ele disse que curtiu a pegada do NDN, o fato de usarmos acordeon e que nem sempre o público aplaude as bandas de abertura. Em suma, eu não precisava escutar mais nada. Pensei em conversar mais, mas ele estava com duas alegres meninas na mesa, de repente tinha outras intenções. Me despedi e fui embora logo, mas ainda a tempo de ver uma das minas alegres vomitando no saguão do hotel. Mr. Mills subiu sozinho pro quarto para seu merecido descanso, já que ainda tinham shows em RJ e SP por fazer. Fui dormir e, quando lembro dessa noite parece que estou sonhando.
Bem coisa de fã!

Quem sabe eu não aproveito o pique e entro na excursão do Noite & Cia pra ver a Madonna em Buenos Aires???

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