Publicado 29 de Abril de 2010
Eram 23:06h da noite de terça-feira, pré-feriado de Tiradentes, quando as luzes se apagaram e começou a trilha que anunciava a presença do artista que tomaria conta do palco do Pepsi On Stage em Porto Alegre nas duas próximas horas.
Duas lâminas de luz, dourado e violeta emolduravam um cenário simples e funcional, longe doa painéis de LED que vemos dos DVDs e nos festivais da hora.
Eu estava comprando uma água e uma cerveja quando a banda formada por mulheres, com exceção do baterista e do protagonista, lançou a batida que identificava o DJ MOBY.
Eu não sou o tipo de baladeiro que sai de casa pra ver um DJ. Minha fase club dancer terminou antes de começar, mesmo que eu faça um sacolejado entre cômico e ritmado num contexto festivo com a patroa e mais alguns amigos. Também acho exagerado o termo “tocar” pra alguém que vai fazer uma série de mixagens. Na verdade me irrita um pouco: “Olha que maneiro, o DJ Marlboro vai tocar no Planeta Atlântida!”. Tocar o quê? Vai desfilar um amontoado de bate-estacas com alguns funks brasileiros de gosto duvidosíssimo? Se você ouve, se diverte, come gente, passa o tempo; tudo bem, afinal, gosto não se discute, apenas se lamenta...
Mas voltando ao assunto, saí do balcão do bar e voltei à pista, onde estava nossa turma. Éramos 11 animados espectadores prontos pra gostar do que iríamos ver. O fato de o local não estar lotado colaborou em muito para ficarmos à vontade. Desde a abertura com “A Seated Night “ até o final com “Raining Again” do Disco Lies e “The Stars” a atenção foi polarizada entre a performance dos músicos – detesto o gênero feminino “musicista” – e a perfeita simbiose entre o eletrônico e o analógico. Não sei quem estava realmente tocando o quê! Claro que havia uma base (muito bem pré-gravada), mas a baixista pulsava com fartos graves; a tecladista erguia paredes sonoras abrindo espaço para a violinista e a cantora... AH, a cantora...! Joy Malcon parecia ser a razão do MOBY existir enquanto banda. FOI DEMAIS! Sem desmerecer o próprio enquanto cantava, gostei mais dele como guitarrista e percussionista. Deus sabe o quanto é difícil tocar tumbadora e guitarra no mesmo show: os dedos formam edemas ao bater na borda das tumbas inibindo a sensibilidade necessária para a digitação na guitarra. E quê guitarra!
Depois da última música, me dei conta que estava, na verdade, num show de rock. Dança quem quiser, mas a sonoridade era maciça e contestadora como o velho rock’n’roll. Pra corroborar minha percepção, inseriram no bis uma magnífica versão de “Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin!!! Além do MOBY ser um guitar hero, sabe escolher bem os músicos que o acompanham. Especialmente o baterista, bendito ao fruto entre as mulheres da banda.
É isso aí! Bateria de rock é coisa pra homem!
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