Publicado 18 de Fevereiro de 2009
No grande boteco que é a internet encontrei um artigo quase científico sobre este local onde o sagrado e o profano dão as mãos. Pode ser lido na praia ou na piscina com uma cerveja gelada e petiscos variados:
“A palavra "boteco" é diminutivo de "botequim", que, por sua vez, tem a sua origem na palavra "botica", armazém onde se vendia de tudo um pouco no começo do século passado. Os clientes iam para as boticas, faziam compras e aproveitavam para colocar a conversa em dia. Com o tempo, os proprietários das boticas começaram a servir aos fregueses aperitivos junto com uma bebida. Como muitos bares naquela época não eram tidos como locais para "homens de família", as boticas eram uma alternativa e logo se transformaram em um ponto de encontro, aonde os fregueses iam mesmo quando não precisavam abastecer suas despensas.”
“Muito além da comida, a grande atração do bar são as relações humanas. A sociabilidade do botequim começa no tamanho das porções e deságua na interação entre freqüentadores. "Há um clima de cumplicidade no ar. Todos são iguais ali dentro", diz o gourmet mineiro Eduardo Maya. E não se pode negar a experiência humana acumulada por um balconista, testemunha de tantas histórias de vida. Se não chega a ser um amigo, serve como companheiro de lamentações. Pergunte por uma boa história quando for ao boteco, para ver.”
“Se der sorte, você pega o dono do bar num dia filosófico e pode até ouvir uma definição mais inspirada, como esta, do sambista Martinho da Vila, ele mesmo dono de boteco: "É um templo onde os solitários se sentem bem acompanhados com seus copos, pensando... Nada melhor do que um amigo de boteco, porque eles não se visitam nas casas e nem pedem dinheiro emprestado. Só falam de mulher, de futebol, samba e política, sem discutir de forma tensa, já que ninguém vai para o boteco esquentar a cabeça. Bom para se fazer amizade, o bar é um lugar sagrado, onde um amigo quase oculto dá ótimas dicas para a solução de problemas materiais sentimentais. Funciona também como um consultório democrático, onde ora se é paciente, ora se é analista. Um santuário descontraído, já que todo botequim que se preza tem que ter imagens de santo, pois as mesas quase sempre se transformam em alegres confessionários".
Leia mais sobre: COLUNA BOTEQUICES - Luiz "Minduin" Vasconcellos
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