Publicado 24 de Maio de 2009
Que bom seria quando isso fosse possível, agora quero você, portanto atenda ao meu desejo e venha para mim! Bom né? Pode ser, mas será possível?
Parece que a lógica da vovó do “Rock and Roll” anda rolando solta por aí! Cada vez mais buscamos no outro uma fantasia construída com a lógica do consumo desenfreado, onde tudo é perfeito, bonito, liga e desliga de acordo com a minha vontade e veio para satisfazer todos os meus desejos. No que isso dá? Dá em “flashes” de relacionamentos, que funcionam muito bem até o momento em que encontramos no outro um ser humano e não um bem de consumo.
Antes de sair por aí procurando o parceiro ideal devíamos gastar um tempinho tentando entender o que afinal temos a oferecer e o que esperamos receber, sim, esperamos, por que a nossa expectativa não é garantia de recebimento. Colamos tantas expectativas sobre os nossos possíveis parceiros que os desumanizamos e, nesse processo de desumanização vamos também nos desconstituindo, vamos perdendo a característica humana de empatia, simplesmente porque não mais enxergamos o outro, mas somente nosso desejo.
Relacionamentos são frutos de uma construção coletiva. Meu tempo, teu tempo, nosso tempo possível, nem sempre em sintonia, na maioria das vezes em dissintonia, uma dissintonia possível de ser tolerada quando nos entendemos como uma parte de dois e não de dois em um.
Quer um relacionamento? Então se deixe surpreender, permita-se observar o que há de humano no outro, tire as máscaras, devagar, busque as suas contradições, permita-se crescer com elas e, de vez em quando, permita-se discordar, só para ver no que vai dar.
Leia mais sobre: COLUNA OLHAR-SE - Daniela Vilas Boas
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