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EXPOSIÇÃO

Aberta exposição "Mr. America" com obras de Andy Warhol

Publicado 20 de Março de 2010

Um dos principais nomes da pop art e um dos artistas mais conhecidos e controversos do século XX, Andy Warhol deixou um legado de símbolos da cultura de massa convertidos em obras de arte, além de mais de 500 filmes, um disco, um livro e centenas de fotos que atestavam o momento de seu auge, na década de 1960. Agora, um recorte deste fértil período chega ao Brasil na exposição Andy Warhol, Mr. America, aberta no último sábado na Estação Pinacoteca, em São Paulo.

Organizada em colaboração com The Andy Warhol Museum, em Pittsburgh, nos Estados Unidos (cidade natal do artista), e já tendo passado pelo Museo de Arte del Banco de la República, em Bogotá, na Colômbia, e pelo Museo de Arte LatinoAmericano de Buenos Aires – MALBA, a mostra tem curadoria de Philip Larratt-Smith, escritor e curador baseado em Nova York. Nela, estão reunidas cerca de 170 obras – 26 pinturas, 58 gravuras, 39 trabalhos fotográficos, duas instalações e 44 filmes –, com ênfase nos trabalhos realizados entre os anos de 1961 e 1968.

Surgida na década de 1950 na Inglaterra, a pop art tem como precursores os integrantes do The Independent Group. Formado pelos artistas Richard Hamilton, Eduardo Paolozzi e William Turnbull, pelos arquitetos Alison e Peter Smithson, James Stirling e Colin St. John Wilson, e pelos críticos Lawrence Alloway e Reyner Banham, o IG propunha em seus encontros e exposições interdisciplinares desafiar as concepções modernas sobre a estética britânica, defendendo, ao contrário, uma abordagem baseada na mídia, no consumo e na cultura popular. Alloway, aliás, é tido responsável por cunhar o termo “pop”, que teria usado para descrever a arte que fazia uso de objetos, materiais e tecnologias da cultura de massa para ressaltar os lucros da sociedade industrial.

O movimento, contudo, só teve seu ápice quando chegou aos Estados Unidos. Warhol, filho de pais originários da Eslováquia que migraram para o país durante a I Guerra Mundial (seu nome era, na verdade, Andrew Warhola) graduou-se em design e, ainda jovem, começou a trabalhar como ilustrador em importantes revistas, como Vogue, Harper’s Bazaar e The New Yorker. Assim, deu início a uma carreira de sucesso como artista gráfico e fez sua primeira mostra individual em 1952, com 15 desenhos baseados na obra do escritor Truman Capote. No final da mesma década, expôs na Ferus Gallery, em Los Angeles, a primeira série das célebres imagens das latas de sopa Campbell’s, então pintadas à mão – e que estão, em versão de serigrafia, na exposição da Pinacoteca de São Paulo.

Warhol passou da pintura para a serigrafia, depois para fotografia, instalações, produção cinematográfica, gerenciamento de uma banda de rock – o Velvet Underground – até a publicação da revista Interview. E foi justamente na década de 1960 – período contemplado em Andy Warhol, Mr. America – que o artista passou a se utilizar mais amplamente dos motivos e conceitos da publicidade para criar suas obras, bem como de suas formas de produção, com reproduções mecânicas, múltiplos serigráficos, cores fortes e tintas acrílicas. Surgiram, então, alguns de seus trabalhos mais conhecidos, também presentes na exposição: as séries de retratos de Jackie Kennedy (1964) e de Marilyn Monroe (1967), a obra Uncle Sam (1961), da série Myths, o portfólio Flash - November, 22, 1963 (1968) – que reconta os quatro dias desde o assassinato do presidente norte-americano John F. Kennedy até seu funeral – e o autorretrato Self-Portrait in drag (1981).

Boa parte de sua produção foi feita durante os quatro anos em que Warhol manteve ativa – e bem frequentada – sua Factory, misto de ateliê, estúdio e espaço para encontros sociais que funcionou de 1964 a 1968. Lá, o artista abria espaço para seus amigos estrelados e suas experimentações artísticas – que, depois de 1965, estavam voltadas para o cinema, já que ele havia se declarado um pintor aposentado. Seus filmes underground tornaram-se espécies de clássicos do gênero, e fazem parte de um ciclo de exibições paralelo à exposição na Pinacoteca, com destaque para Blow Job (1963) e Empire (1964). As inovações formais que apresentou neste trabalhos, como o uso da câmera fixa, a ausência quase total de edição e o uso da velocidade do cinema mudo (16 em vez de 24 quadros por segundo), foram tão simples quanto radicais. Aliadas às mudanças na vida social e cultural norte-americana nos anos 1960, as obras representam a ascensão da cultura popular, da televisão e da propaganda.

Na década seguinte, Warhol renovou seu foco na pintura e publicou o livro The Philosophy of Andy Warhol (from A to B and Back Again). Em 1982, criou o programa de televisão Andy Warhol’s TV, e em 1986 passou a apresentar, na MTV, o Andy Warhol’s Fifteen Minutes - baseado em sua celebra frase, dita em 1968, de que no futuro todos teriam seus 15 minutos de fama. O artista faleceu em 22 de fevereiro de 1987, devido a complicações decorrentes de uma cirurgia de vesícula.

Andy Warhol, Mr. America fica em cartaz até 23 de maio. A Estação Pinacoteca fica no Largo General Osório, 66, e tem entrada franca aos sábados.

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Fonte: Fundação Ibere Camargo

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